segunda-feira, 16 de setembro de 2013

‘Aprendam a lição’

Na quarta-feira, 11, boa parte dos canais de comunicação lembrou o ataque terrorista nas torres gêmeas, mas pouco comentou que neste dia de setembro, em 1973, foi cometido um dos maiores ataques contra a democracia e a esperança de um povo: a derrubada de Salvador Allende do governo chileno, por uma ditadura sanguinária. É preciso rememorar este acontecimento, pois o que aconteceu no Chile não diz respeito apenas aos chilenos, mas ao mundo inteiro. Algumas lições se deve tirar deste acontecido.
O governo Allende trouxe uma experiência inédita: fazer transformações profundas em uma sociedade injusta e desigual, obedecendo as normas constitucionais. Para tanto, teve que enfrentar as reações das elites conservadoras chilenas. Paralisações empresariais, greve de caminhoneiros, desabastecimento e manifestações da classe média foram os acontecimentos mais constantes.
O que ocorreu com o governo da Unidade Popular (UP), aliança entre comunistas e socialistas que elegeu Allende, não é diferente do que tem ocorrido na última década na América Latina, onde governos de natureza popular sofrem, sistematicamente, retaliações de nossas elites conservadoras, em conluio com os grandes meios de comunicação, exatamente como se deu no Chile no início dos anos 70 e que culminou com a deposição de um governo popular. Exemplo disso é o que sofreu o ex-presidente Lula e sofre a Presidenta Dilma.
Tal como ocorreu no Chile, os golpistas que tentaram derrubar os ex-presidente Chaves, da Venezuela e Rafael Correa, no Equador estão intimamente em relação com os EUA, pois qualquer tentativa de construção de um modelo de desenvolvimento diferente daquele concebido por Washington será sempre uma ameaça aos interesses americanos. A espionagem estadunidense ao Brasil deve ser encarada com muita preocupação.
A experiência chilena não foi em vão, como bem disse Allende quando o Palácio de Lamoneda estava sendo bombardeado: “Aprendam a lição… (porque) muito mais cedo do que tarde, se abrirão novamente as grandes alamedas por onde passará o homem livre, para construir uma sociedade melhor”.