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sábado, 16 de novembro de 2013

A história se repete

Na minha época escolar quando se indagava sobre o papel da história dizia-se que serviria para entender o passado, compreender o presente e vislumbrar o futuro. A exumação do ex-presidente João Goulart, realizada pelo estado brasileiro, nos remete para entender um pouco da história brasileira e, ao mesmo tempo, procurar a compreensão dos acontecimentos atuais.
Os setores conservadores no Brasil sempre tiveram esse comportamento que estão tendo nos dias atuais, o de impedir um projeto de desenvolvimento inclusivo e soberano patrocinado pelo estado.
Os instrumentos utilizados são sempre os mesmos, mas com novas roupagens. Getúlio Vargas que promoveu a industrialização brasileira e garantiu grande parte dos direitos trabalhistas aos brasileiros sofreu perseguição implacável da mídia conservadora, na época o jargão dos noticiários era o ‘Mar de Lama’ no Palácio do Catete. O suicídio de Getúlio em 1954 conteve a sanha golpista, de então.
Dez anos depois, a derrubada brutal do governo João Goulart instituía uma ditadura civil-militar, obedeciam aos mesmos rituais. A queda de Jango foi antecedida por uma campanha midiática carregada de ódio. As manchetes eram assim destacadas: ‘O ouro de Moscou’, ‘A República sindicalista’, ‘Naufrágio dos valores cristãos’, dentre outros adjetivos manipuladores, mas o que se desejava era impedir as “reformas de Base” que colocariam o Brasil rumo a um desenvolvimento inclusivo e soberano.
Os dias atuais não são diferentes. 20 milhões de empregos com carteira assinada, 40 milhões de brasileiros que ascenderam socialmente, crescimento do consumo popular não tem o menor significado para nossa elite conservadora. Ao contrário, lendo as manchetes nos grandes jornais o Brasil está à beira da falência. E o ritual se repete: ‘mensalão’, ‘a companheirada’, ‘gastança’, etc.
A exumação de Jango trás à luz um dos grandes mistérios da recente história brasileira: a real morte do ex-presidente. Mas vai muito além, será um dia de encontro do Brasil com sua história, como enfatizou a Presidenta Dilma.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

‘Aprendam a lição’

Na quarta-feira, 11, boa parte dos canais de comunicação lembrou o ataque terrorista nas torres gêmeas, mas pouco comentou que neste dia de setembro, em 1973, foi cometido um dos maiores ataques contra a democracia e a esperança de um povo: a derrubada de Salvador Allende do governo chileno, por uma ditadura sanguinária. É preciso rememorar este acontecimento, pois o que aconteceu no Chile não diz respeito apenas aos chilenos, mas ao mundo inteiro. Algumas lições se deve tirar deste acontecido.
O governo Allende trouxe uma experiência inédita: fazer transformações profundas em uma sociedade injusta e desigual, obedecendo as normas constitucionais. Para tanto, teve que enfrentar as reações das elites conservadoras chilenas. Paralisações empresariais, greve de caminhoneiros, desabastecimento e manifestações da classe média foram os acontecimentos mais constantes.
O que ocorreu com o governo da Unidade Popular (UP), aliança entre comunistas e socialistas que elegeu Allende, não é diferente do que tem ocorrido na última década na América Latina, onde governos de natureza popular sofrem, sistematicamente, retaliações de nossas elites conservadoras, em conluio com os grandes meios de comunicação, exatamente como se deu no Chile no início dos anos 70 e que culminou com a deposição de um governo popular. Exemplo disso é o que sofreu o ex-presidente Lula e sofre a Presidenta Dilma.
Tal como ocorreu no Chile, os golpistas que tentaram derrubar os ex-presidente Chaves, da Venezuela e Rafael Correa, no Equador estão intimamente em relação com os EUA, pois qualquer tentativa de construção de um modelo de desenvolvimento diferente daquele concebido por Washington será sempre uma ameaça aos interesses americanos. A espionagem estadunidense ao Brasil deve ser encarada com muita preocupação.
A experiência chilena não foi em vão, como bem disse Allende quando o Palácio de Lamoneda estava sendo bombardeado: “Aprendam a lição… (porque) muito mais cedo do que tarde, se abrirão novamente as grandes alamedas por onde passará o homem livre, para construir uma sociedade melhor”.