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sábado, 20 de julho de 2013

O mesmo problema

A luta do Movimento Passe Livre (MPL) pela redução da tarifa de ônibus trouxe àtona inúmeros problemas que se vive no transporte coletivo nos grandes centros urbanos que, se não forem enfrentados pelo poder público, poderá ser motivo para novos protestos.
Esse problema não é de agora, como bem demonstra a história da cidade de Manaus. Em épocas passadas, os moradores do bairro de São José, revoltados com o sistema, foram às ruas e radicalizaram queimando inúmeros ônibus, colocando esse tema na agenda governamental de então; em 2005, o então vereador, hoje Deputado Federal petista, Praciano, aprovou uma CPI do transportes coletivo na Câmara Municipal de Manaus (CMM) e constatou inúmeras irregularidades, mas pouca coisa se resolveu e, em 2011, o vereador do PT, Waldemir José, reuniu mais de 60 mil assinaturas populares para instalar uma CPI para investigar o sistema, no entanto, a Casa Legislativa resolveu jogar o problema para debaixo do tapete.
A eclosão que tomou conta das ruas no mês de junho coloca novamente como questão central a problemática do transporte urbano. Por conta das manifestações a caixa preta do sistema começa a ser aberta. As altas tarifas, o longo tempo de espera de um ônibus e o desconforto com a superlotação fica evidenciado que os empresários não estão nem um pouco preocupado com o interesse público, mas somente aumentar suas margens de lucro.

Foto: http://stpmanaus.wordpress.com/
A falta de fiscalização pelo poder público municipal para ter um controle do sistema e fazer funcionar a contento para o bem da população é visível.
Recentemente o Sindicato dos Rodoviários da cidade de Manaus denunciou que o FGTS e o desconto da previdência há muitos anos deixou de ser depositado pelas empresas, sem a prefeitura tomar qualquer providência.
Dois fatos marcaram esta semana: o pedido de CPI do transportes proposto pela bancada do PT e o acampamento do MPL na frente da CMM. Caberá aos vereadores dar uma resposta à sociedade.

Postado originalmente em: http://blogs.d24am.com/artigos/2013/07/20/o-mesmo-problema/

sábado, 22 de junho de 2013

O que dizem as ruas?

Tenho assistido e aplaudido as grandes manifestações que tem ocorrido nesses últimos dias no país. Embora tais protestos tenham se iniciado contra o aumento das tarifas de ônibus e se estendido para outras reivindicações, penso que seja preciso fazer uma avaliação para entender as reais motivações que tem levado milhares de jovens às ruas nas grandes cidades brasileiras.
Não podemos negar os enormes problemas que ainda persistem nas grandes metrópoles, tais como de mobilidade urbana, saneamento, falta de espaço de lazer, etc. Só para ilustrar como exemplo, 500 mil pessoas em Manaus convivem com a falta de abastecimento de água. Não resta a menor dúvida que tais fatores são elementos de revolta capaz de mobilizar as pessoas. 
Foto: Agência Senado
Por outro lado, de forma paradoxal, o Brasil tem avançado nas melhorias sociais, conforme tem atestado inúmeras instituições respeitáveis. Nos últimos 10 anos, 40 milhões de brasileiro ascenderam à classe C, segundo a FGV; 20 milhões de empregos com carteira assinada foram gerados, nos informa o IBGE, milhares de jovens entraram na universidade. Então por que a revolta? Uma das razões é que o Brasil é outro, conforme escrevi no artigo anterior. Junto com a melhoria da renda, criaram-se novos consumidores e mais informados, atentos aos seus direitos. Além do que, essas mobilizações só reforçam o avanço da democracia brasileira.
São manifestações legitimas que precisam ser compreendidas e respondidas com o diálogo e não com a truculência, como fez o governo de São Paulo.
Foto: Agência Senado
Nesse momento, a radicalização só interessa àqueles que são contrários em ver o Brasil avançar rumo aos interesses populares. Os mesmos setores midiáticos que sempre criminalizaram as manifestações populares tentam hoje se aproximar (para não dizer se infiltrar) dos mesmos.
Uma lição a se tirar neste momento é que as vozes das ruas têm grande peso para transformar este País. Como bem dizia Renato Russo: “se tua voz tivesse força igual à imensa dor que sentes, teu grito acordaria, não só tua casa, mas a vizinhança inteira”.

Reprodução do post: http://blogs.d24am.com/artigos/2013/06/22/o-que-dizem-as-ruas/