Presidente do PT-AM critica gestão Artur Neto e minimiza José Melo nas eleições de 2014
Em
entrevista ao A CRÍTICA, João Pedro afirma que a prioridade do partido
em 2014 é a reeleição da presidente Dilma Rousseff e a duplicação das
bancadas da sigla na ALE-AM e na Câmara de Deputados
Prestes
a encerrar o seu mandato de presidente estadual do Partido dos
Trabalhadores (PT), João Pedro afirma que se dedicará a dois projetos em
2014: a reeleição da Presidente da República Dilma Rousseff e sua
candidatura a uma vaga de deputado federal.
Na
entrevista que concedeu para A CRÍTICA, o presidente do PT diz que não
está satisfeito com a atual bancada do Amazonas no Congresso Nacional.
Por isso será candidato. O petista também faz críticas à administração
tucana em Manaus. “O Artur ainda não enfrentou as questões
estruturantes”, disse.
Para
João Pedro, o Pros terá papel secundário no projeto nacional do PT de
reeleger Dilma Rousseff. Por isso, nem conta com o partido comandado
pelo vice-governador José Melo como uma aliança possível para 2014. “Eu
acho muito difícil o PT ter relação com o Pros (aqui no Amazonas). O quê
que é o Pros?”, indaga o petista. A seguir, trechos da entrevista.
Como o partido se prepara para as eleições de 2014?
Temos
uma agenda grande em 2014: a reeleição da presidente Dilma (Rousseff) e
a eleição estadual, que tem que fortalecer o projeto para aumentar o
número de deputados estaduais. Temos dois deputados estaduais, queremos
dobrar isso. Temos o companheiro Praciano como deputado federal, por que
não dobrar também? O processo eleitoral de 2014 ainda está indefinido
até agora, mas sabemos da importância do PT nele. Primeiro que o partido
tem credibilidade, é o partido da presidente Dilma e do presidente
Lula. Tem um bom tempo de rádio e televisão, e está organizado no Estado
todo. Não descarto discutirmos composição majoritária.
Como?
O
PT pode discutir o (candidato para o) Senado, o candidato a
vice-governador. Praticamente não temos uma candidatura para o Governo
do Amazonas. Não preparamos uma candidatura. Mas podemos discutir essa
composição de vice e para o Senado. Não descarto isso. Podemos fazer um
bom debate sobre essa composição. Mas isso vai se dá mesmo na virada do
ano e no início de 2014.
E as alianças?
O
que o PT tem é uma linha com o PMDB. Na verdade temos uma base grande
de 12 partidos. A novidade é a saída do PSB. Esse é um quadro novo. Mas é
uma base ampla. Onde não tem nenhuma definição. Acho que para fevereiro
ou março (de 2014) o cenário estará mais definitivo.
O Pros é uma possibilidade de aliança?
Não
temos nenhuma relação com o Pros. Zero. É um partido novo, com
lideranças nacionais falando de apoio à Dilma. Eu acho muito difícil o
PT ter relação com o Pros (no Amazonas). O quê que é o Pros? Não vamos
brincar de eleições. Se é verdade que não temos candidatura no Estado, é
verdade que temos candidatura com a Dilma. Não estamos brincando. Se
não temos candidatura do PT para o Estado, vamos colocar o partido para
fortalecer o projeto nacional, o principal projeto nosso. O Pros foi
articulado agora. Em cima da hora. Temos uma relação com o Omar, com o
PSD, com o PMDB. O Pros joga um papel importante, mas secundário.
O PT vai articular a 1ª suplência de Omar Aziz para o Senado?
O
PT tem que discutir o quadro majoritário. Vejo a candidatura a
vice-governador mais importante que uma suplência. Mas não descarto nem a
própria vaga para o Senado. De repente Omar não sai, por que não o PT
disputar? Mas se tiver que discutir a suplência, está valendo. Eu fui
suplente do Alfredo (Nascimento) e fiquei cinco anos no Senado. Mas
temos que olhar a prioridade das prioridades.
Qual a importância do Amazonino Mendes no processo eleitoral de 2014?
O PT nunca teve uma história de relação com o Amazonino.
O PT comandou duas secretarias na gestão dele na Prefeitura de Manaus?
Algumas
pessoas apareceram na gestão. Mas a relação é diferente com o PMDB, de
relação política. Com o Amazonino nunca houve. Como ele virou prefeito,
ele se aproximou do presidente Lula porque foi para o PTB. Mas começou a
ter mais relação com Brasília do que conosco. E parece que ele nunca
teve interesse em ter relação com as lideranças do PT aqui no Estado.
Mas ele compõe a base. É do PDT. Tem influência no Estado. Penso que ele
agrega. Tem força. Mas é um político conservador. Na minha opinião, ele
é ultrapassado como gestor. Como prefeito fez uma gestão medíocre.
Agora dizer que morreu e não tem voto, não. Ele nem morreu e nem deixou
de ter voto.
E a gestão de Artur Neto?
O
Artur é prefeito após uma gestão desastrosa, que nada fez. O Artur está
jogando asfalto nas ruas do Centro e ganha repercussão por conta disso.
Para mim é muito pouco, por conta dos recursos que a cidade tem e da
geopolítica que joga a capital. Para mim ele está concluindo um ano e
faz muito pouco. Principalmente pelo Centro. Manaus continua sem água.
Então, as questões estruturantes o Artur ainda não enfrentou. Agora ele
consegue ser melhor que o Amazonino? Consegue. Porque não poderia ser
pior.
O senhor será candidato?
Coloco-me
na condição de pré-candidato a deputado federal. Estou muito
determinado para isso. Nós precisamos ter mais uma vaga do PT. Mas isso
não é fácil porque a eleição está muito marcada pelo poder econômico. Eu
pretendo disputar a eleição mostrando a minha vida pública. Quero
ganhar um tênis do Papai Noel nesse ano e percorrer todo o Amazonas.
O Praciano tem interesse em disputar o Senado. O que o senhor acha?
Ele
tem potencial. É um nome já testado. Tem condição de disputar. Vamos
conversar com ele. Ele está disponível. Mas no PT tem que discutir todo
mundo. Todas as correntes e lideranças. Com o Praciano candidato ao
Senado ou não, eu sou candidato.
O senhor está satisfeito com a representação do Amazonas no Congresso?
Claro
que não. Vou para a disputa. A sociedade tem que avaliar. Nós temos uma
representação no Congresso Nacional? É isso mesmo? O Amazonas, agora em
2012, ficou mais de 100 dias sem um deputado federal. Houve uma
vacância e ficamos mais de 100 dias. Um absurdo. Uma vergonha. Quem
assumiria ficou dizendo que não queria. O Estado fica sem representação e
a luta lá é muito desigual.
Como o senhor avalia o movimento do PSD e do Pros de isolar o PMDB no Amazonas?
Tem
um movimento muito rasteiro, baixo nisso. O PT não tem que entrar
nisso. Temos que buscar o melhor na política. Eu não entro nesse tipo de
articulação. Esse tipo de movimentação é pequena, sacana.