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segunda-feira, 17 de março de 2014

Triste Parlamento

Para especialistas a dor de ser vítima de violência sexual na infância permanece para o resto da vida. Quem assistiu ao filme ‘Meninos e Lobos’, de Clint Eastwood, tem uma melhor percepção do trauma de abuso sexual na infância, muito bem interpretado por Kevin Bacon, que no filme foi vítima deste tipo de violência. Se a maioria dos deputados estaduais do Estado do Amazonas tivesse tido um pouco de sensibilidade não esperariam nem um minuto a mais e instalariam de imediato a CPI da Pedofilia no Estado do Amazonas. Infelizmente, não foi o que aconteceu, manobraram para barrar a CPI.
Infelizmente, esse crime é cometido em todo mundo e aqui no Brasil tem índices alarmantes, atingindo crianças entre 9 e 10 anos. Segundo o Ministério da Saúde, em 2012, houve 7.592 notificações de casos desse tipo de violência nessa faixa etária, sendo 72,5% entre meninas e 27,5% em meninos. Isso corresponde a 27% de todos os casos de violência registrados pelos hospitais entre crianças e adolescentes.
Claramente os deputados estaduais amazonenses manobraram para barrar a investigação na casa. Primeiramente retardaram ao máximo o parecer da Procuradoria que daria o aval para instalação da CPI e não encontrando outra desculpa diante da exigência da sociedade amazonense que clama pela investigação encontraram uma velha fórmula: empurrar para depois das eleições que provavelmente não os desgastará junto ao eleitor e lá na frente os fatos já terão sido esquecidos.
A desculpa da falta de condições administrativas por já ter uma CPI em andamento soa como piada, pois são 24 deputados estaduais e com certeza não são todos envolvidos com CPI da telefonia. Contaminar a investigação com período eleitoral é brincar com a consciência do eleitor amazonense.
O parlamento estadual amazonense perde a oportunidade de dar uma grande contribuição e orgulho aos amazonenses que clamam por justiça em favor de nossas crianças vítimas desses bandidos que merecem ser banidos da política local.
Artigo publicado no D24Am.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

A história como lição

Em 1954 um atentado contra Carlos Lacerda na Rua Toneleros ocasionou a morte do Major Rubens Vaz. Tal fato servira de pretexto para tirar Vargas do poder, o que não ocorreu pelo suicídio e seus desdobramentos. O conflito entre sem-terras e a polícia no Paraguai levou à morte 8 policiais e 9 manifestantes e, novamente, a responsabilidade recaiu contra o Presidente, Fernando Lugo. Foi o estopim para depô-lo do poder. Na Venezuela em 2002 o roteiro foi o mesmo. O velho Marx já advertiu: a história se repete. O que de fato está por trás dos protestos violentos que ocorrem no Brasil nos dias de hoje?
A recente morte do cinegrafista da Band atingido por um rojão quando cobria uma manifestação trás à tona uma preocupação: o que de fato se deseja com essas manifestações? Protestar contra as políticas públicas ou criar um pretexto para desestabilizar o país e atender interesses de grupos que almejam derrotar o atual governo nas próximas eleições presidenciais, a qualquer custo.
Sem um projeto para apresentar ao país a oposição Brasileira tem apostado no quanto pior melhor. Não foram poucas as tentativas. Sistematicamente, os grandes jornais anunciam o desastre que ronda a economia brasileira, o que não encontra respaldo nos principais indicadores econômicos. Usam o moralismo e o combate a corrupção como forma para atacar o principal partido de sustentação da presidente, ainda assim não encontram ressonância na sociedade. Protestar é legítimo na democracia, mas agredir pessoas, depredar propriedades é inconcebível.
Não podemos criminalizar as manifestações, mas também não é possível aceitar de forma passiva os protestos criminosos, tanto desses movimentos como das forças policiais. A história nos ensina onde essas práticas podem descambar.
A democracia foi uma conquista do povo brasileiro. Milhares de vida se perderam para restaurá-la. Protestar é forma legítima para a construção da cidadania, no entanto, a violência de alguns grupos precisa ser contida, sob pena de regredirmos na história.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Violência contra a mulher

Está na capa do 'A Crítica' de hoje e também no cotidiano de muitas mulheres. A violência contra a mulher está presente na nossa sociedade, infelizmente. A ONU indica que a violência contra as mulheres assume muitas formas – física, sexual, psicológica e econômica. Alguns tipos de violência, como o tráfico de mulheres, cruzam as fronteiras nacionais.

Capa jornal A Crítica - 08/out/2013
"As mulheres que experimentam a violência sofrem uma série de problemas de saúde, e sua
capacidade de participar da vida púbica diminui. A violência contra as mulheres prejudica as famílias e comunidades de todas as gerações e reforça outros tipos de violência predominantes na sociedade."
- ONU

A violência é constantemente fortalecida pela cultura de discriminação da mulher na sociedade. Segundo dados da ONU, cerca de 70% das mulheres sofrem algum tipo de violência no decorrer de sua vida. De acordo com dados do Banco Mundial, mulheres de 15 a 44 anos correm mais risco de sofrer estupro e violência doméstica do que câncer, acidentes de carro, guerra e malária.

Muito da cultura da violência decorre também do processo histórico de impunidade presente nos casos. A Lei nº 11.340, assinada pelo Presidente Lula em agosto de 2006, Lei Maria da Penha, pretende coibir a violência contra a mulher. A sociedade civil organizada se mobilizou por muitos anos para que pudesse dispor de um instrumento legal que fizesse o Estado brasileiro se empenhar no processo de combate à violência doméstica e familiar contra a mulher.

"A lei Maria da Penha começa a dar resultados. Eu acho que nós estamos vencendo, mas falta muito. Falta a consolidação de uma rede (de proteção à mulher) e falta a mudança de mentalidade (de que os homens não têm direito de agredir as mulheres)", afirmou à BBC Brasil a ministra da Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres, Eleonora Menicucci.

Falta muito, mas o processo já foi iniciado. Agora precisamos vencer nossas principais barreiras, a impunidade, a falta de mecanismos que protejam e ofereçam suporte às mulheres inseridas nesse contexto, mas principalmente falta desejarmos erradicar a cultura machista.