sábado, 31 de agosto de 2013

A medicina cubana

Em janeiro de 1999 quando o governo fez um acordo com o governo cubano para trazer médicos daquele país para atuar no Brasil nossa imprensa e as entidades médicas não fizeram qualquer manifestação, no entanto, neste momento quando é anunciado a vinda de quatro mil médicos daquele país o corporativismo e nossa velha mídia se posicionam, de forma raivosa, contra a vinda desses profissionais. O que está por trás dessas manifestações e o que tem de verdade nisso tudo?
Creio que essas contrariedades expressadas tem haver com o modelo da medicina cubana que foca sua atuação na a prevenção, o que diminui os custos com medicamento. Certamente esse modelo contraria os interesses dos grandes laboratórios que ganham vultosas somas de recursos com o modelo de medicina mercadológica. Muitos profissionais médicos agem em conluio com tais laboratórios.
Um dos principais argumentos da reação irada de entidades médicas brasileiras contra a vinda de médicos cubanos para o país consiste em questionar a qualidade e a competência dos profissionais cubanos. O presidente do Conselho Federal de Medicina, Roberto D’Ávila, chegou a dizer que “os cubanos poderão causar um genocídio” no Brasil. Uma das maneiras de aferir essa qualidade é levar em conta a realidade da saúde e da medicina em Cuba e comparar com a brasileira.
Em Cuba há hoje 6,4 médicos para mil habitantes. No Brasil, esse índice é  de 1,8 médico para mil habitantes. Na Argentina, a proporção é 3,2 médicos para mil habitantes. Em países como Espanha e Portugal, essa relação é de 4 médicos para cada mil habitantes. A taxa de mortalidade em Cuba é de 4,6 para mil crianças nascidas, e a expectativa de vida é de 77,9 anos (dados de janeiro de 2013). No Brasil, a taxa de mortalidade é de 15,6% para mil bebês nascidos (IBGE/2010). Demos apenas dois exemplos, mas a qualidade da medicina cubana é muito maior que a nossa e de muitos países. Apesar da contrariedade das entidades médicas, a população tem se manifestado a favor da vinda dos médicos estrangeiros ao país e isso é o que é mais importante.