sábado, 22 de junho de 2013

O que dizem as ruas?

Tenho assistido e aplaudido as grandes manifestações que tem ocorrido nesses últimos dias no país. Embora tais protestos tenham se iniciado contra o aumento das tarifas de ônibus e se estendido para outras reivindicações, penso que seja preciso fazer uma avaliação para entender as reais motivações que tem levado milhares de jovens às ruas nas grandes cidades brasileiras.
Não podemos negar os enormes problemas que ainda persistem nas grandes metrópoles, tais como de mobilidade urbana, saneamento, falta de espaço de lazer, etc. Só para ilustrar como exemplo, 500 mil pessoas em Manaus convivem com a falta de abastecimento de água. Não resta a menor dúvida que tais fatores são elementos de revolta capaz de mobilizar as pessoas. 
Foto: Agência Senado
Por outro lado, de forma paradoxal, o Brasil tem avançado nas melhorias sociais, conforme tem atestado inúmeras instituições respeitáveis. Nos últimos 10 anos, 40 milhões de brasileiro ascenderam à classe C, segundo a FGV; 20 milhões de empregos com carteira assinada foram gerados, nos informa o IBGE, milhares de jovens entraram na universidade. Então por que a revolta? Uma das razões é que o Brasil é outro, conforme escrevi no artigo anterior. Junto com a melhoria da renda, criaram-se novos consumidores e mais informados, atentos aos seus direitos. Além do que, essas mobilizações só reforçam o avanço da democracia brasileira.
São manifestações legitimas que precisam ser compreendidas e respondidas com o diálogo e não com a truculência, como fez o governo de São Paulo.
Foto: Agência Senado
Nesse momento, a radicalização só interessa àqueles que são contrários em ver o Brasil avançar rumo aos interesses populares. Os mesmos setores midiáticos que sempre criminalizaram as manifestações populares tentam hoje se aproximar (para não dizer se infiltrar) dos mesmos.
Uma lição a se tirar neste momento é que as vozes das ruas têm grande peso para transformar este País. Como bem dizia Renato Russo: “se tua voz tivesse força igual à imensa dor que sentes, teu grito acordaria, não só tua casa, mas a vizinhança inteira”.

Reprodução do post: http://blogs.d24am.com/artigos/2013/06/22/o-que-dizem-as-ruas/