segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

A questão indígena

A perseguição ao povo Tanharim no final do ano passado e início deste em Humaitá precisa ser mais bem esclarecida, sob pena de cometermos mais uma injustiça contra a população indígena da Amazônia que ao longo de sua história tem sofrido as mais diversas brutalidades e atrocidades com o avanço do capitalismo depredador, que tem avançado pela cobiça e a destruição.
Não são poucas as histórias de massacre da população indígena no Brasil, em particular na Amazônia. No período colonial, de seis milhões de povos das mais diversas nações restaram um pouco mais de duzentos mil índios. No período militar as epidemias provocadas pela ação humana foram constantes. O indigenista Egydio Schwade denunciou na Comissão da Verdade o massacre de mais de dois mil índios waimiri-atroari entre os anos de 1972 e 1975 e, mais recentemente, o sofrimento dos índios Guarani-kaiowá condenados a saírem de suas terras pela Justiça. São fatos decorrentes do capitalismo depredador.
 
Em Humaitá, o corrido no final do ano passado segue este mesmo roteiro. O pretexto para queimarem a sede da Funai, carros, barcos e pontes na aldeia dos Tanharim foi o desaparecimento de três pessoas, mas o que se revelou com os desdobramentos dos acontecimentos foi o ódio arraigado contra a população indígena. Antes de qualquer investigação dos desaparecimentos os índios foram considerados ‘culpados’. A versão da população dos Tanharim negando tais fatos foi completamente ignorada.
Como diria o Mino Carta, até o mundo mineral tem conhecimento dos conflitos latentes existentes no sul do Amazonas por conta dos interesses dos madeireiros, pecuaristas e comerciantes e, dentro desse contexto, a população indígena é vista como empecilho para o avanço dessas atividades e a perseguição aos Tanharim reflete isto. Neste momento, o poder público tem grandes responsabilidades.
O governo federal precisa se fazer presente no sul do Amazonas para buscar o entendimento entre índios e não-índios para pacificar àquela região, especialmente no município de Humaitá.